DIVINO
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Em pleno tempo do Divino, o Encontro de Tradições abre suas atividades na Praça com o levantamento do Mastro e a Alvorada do Divino. Em seguida, a romaria  passa  pelas casas e leva  sua bandeira pelos espaços e atividades do evento.

 

Na região Sul do Brasil, mais exatamente no litoral do estado do Paraná, a romaria do Divino costuma seguir de barco ou quando em  terra, a pé, por  trilhas e caminhos levando os foliões e a bandeira às casas daqueles que querem receber a benção do Espírito Santo.

O nome romaria é usado nesta região para designar todo o cortejo que acompanha a folia, composto de devotos, parentes, moradores e curiosos em geral. Por sua vez, a folia propriamente dita é formada por um grupo de homens que têm a responsabilidade de cantar o Divino casa a casa pedindo ofertas para a festa e têm a responsabilidade de acompanhar a missa na igreja com cantos especiais.

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Tradicionalmente a folia é formada pelo mestre – que, na maioria dos casos, toca a viola e faz a voz principal; pelo tenor ou contrato – que canta a segunda voz; pelo rabequeiro – que só toca; pelo tipe (ou tiple) – geralmente um menino que canta a chamada “voz fina” (um sopraníssimo nos finais de frase).

 

A caixa pode ser tocada pelo tipe ou pelo tenor/contrato. Se nenhum deles assumir esta função, um caixeiro segue com o grupo. Um alferes acompanha o conjunto para carregar a bandeira.

Os versos da folia são geralmente improvisados e reportam-se às situações encontradas em cada casa – falecimentos, bênçãos especificas, santos que estão no altar, pedidos dos moradores, entre outras. Canta-se a três vozes: o mestre canta os dois primeiros versos da quadra e em seguida a resposta (os dois versos seguintes da quadra) é cantada por ele e pelo contrato. O tipe entra nos finais de frase, cantando os dois últimos fonemas.

 

As bandeiras são carregadas pelos devotos e foliões em tarefa de grande responsabilidade. Levadas de casa em casa durante os peditórios (ação de pedir a um certo número de pessoas para fins filantrópicos), figuram nas principais etapas e cerimônias do ritual. É hábito beijá-la, atribuindo-lhe respeito e honras. Os devotos colocam fitas, flores, dinheiro, fotos, assinalando as bênçãos recebidas. Nos dias de hoje, devido à escassez de foliões, as bandeiras saem juntas. Em outros tempos saíam separadas, cada uma levada por uma folia. Cada comunidade tinha duas bandeiras e tradicionalmente a vermelha seguia para o norte e a branca seguia para o sul.